Pedro e Cornélio

Atos 10:1-23

10 E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos,11 E viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra.12 No qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu.13 E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come.14 Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.

O fato relatado neste texto ocorreu um tempo depois do traslado de Jesus aos céus.Já havia ocorrido o dia de Pentecostes.Pedro e os demais apóstolos faziam inúmeros milagres em nome de Jesus e a igreja crescia.Os fatos aqui se passam em duas cidades:

Cesareia

Uma cidade na costa da Palestina, cerca de 37 km a sul do Monte Carmelo. Em 30 AC, Octaviano (que passou a chamar-se Augusto) deu-a a Herodes, que gastou doze anos (22-10 AC) a reconstruí-la em grande escala.O novo porto artificial era do tamanho do porto de Atenas. Diz-se que o dique tinha 61 m de largura, assentando em 36,5 m de água. Alguns dos blocos de pedra usados tinham 15 m de comprimento e 5,5 m de largura.Herodes também construiu templos, um teatro e um anfiteatro. Um dos dois aquedutos que trazia a água de uma fonte situada a 19 km de distância era composto por um túnel com 9,5 km de comprimento e uma conduta de pedra apoiada em arcos, também com 9.5 km de comprimento.Herodes chamou Cesareia a esta nova cidade em homenagem a César Augusto e ao porto chamou Portus Augusti.

A população era majoritariamente composta por sírios mas também viviam lá muitos judeus. A cidade foi a capital da Palestina e residência do governador romano desde 6 DC até 41 DC.A cidade de Cesareia é frequentemente mencionada no livro de Atos:

  • Filipe viveu aí (At 8:40; At 21:8);
  • Também o centurião romano Cornélio, cuja conversão e batismo marcaram o início da obra missionária entre os gentios (At 10:1-11:18).
  • Aparentemente existiu na cidade uma florescente comunidade cristã (At 21:16).
  • O apóstolo Paulo passou várias vezes pela cidade:
    • quer de partida – ao embarcar no seu porto para viagens ao estrangeiro (At 9:30),
    • quer de chegada – ao voltar das suas viagens missionárias (At 18:22; At 21:8).

JOPE

Heb. Yaphô, “beleza”..Uma antiga cidade cananeia na fronteira da tribo de  (Js 19:46) mas aparentemente nunca ocupada pelos israelitas nos tempos do VT.Sendo o único porto situado entre o Egito e a cordilheira do Carmelo, a menos que Dor seja incluída na contagem, era de grande importância para a Palestina.Situava-se cerca de 55 km a noroeste de Jerusalém e a uns 50 km de Cesareia. Os cedros do Líbano usados na construção do templo de Salomão e do templo de Zorobabel chegaram à Palestina através deste porto (2Cr 2:16; Ed 3:7).

Foi lá que o profeta Jonas, fugindo da ordem de Deus, embarcou num navio que se dirigia para Tarsis, provavelmente na Espanha (Jn 1:3).O cristianismo entrou cedo em Jope. Esta era a cidade natal de Tabita, ou Dorcas, uma grande benfeitora dos pobres. Quando ela morreu, Pedro ressuscitou-a e “muitos creram” na mensagem do apóstolo (At 9:36-42).

Pedro permaneceu na cidade durante algum tempo, na casa de Simão, o curtidor e teve uma visão que lhe mostrou que o Evangelho deveria ser pregado também aos gentios, não se devendo fazer distinção entre judeus e gentios (cap. At 10:5-48).

Nos encontramos agora em Jope, aonde está Pedro descansando.

Um homem que havia estado com Jesus durante todo seu ministério,havia recebido revelações poderosas da Sua parte, mas ainda tinha coisas a mudar dentro de si.

Nada diferente de nós hoje, que necessitamos permitir que o E.S. realize a Sua obra de santificação em nós.E é aqui que tudo se inicia.

Você já passou pela situação de entender que algo que você cria foi tornado sem efeito pelo E.S.?

Pedro passou por isto, e foi uma experiência importante para ele.

1. DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS

Em Betânia, para além do Jordão, João Baptista dava o seu testemunho relativamente a Jesus, apelidando-o de o “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29-36).

Quando João e André ouviram isto, seguiram Jesus e procuraram saber onde ele morava. Ficaram convencidos de que Ele era o Messias, por causa das graciosas palavras que Cristo pronunciou e da autoridade com que falou (Lc 4:22; Mt 7:29); e André foi procurar Simão, trazendo-o a Jesus (Jo 1:41).

Jesus logo aceitou Simão e declarou que, daí em diante, ele passaria a chamar-se Cefas, o nome aramaico que correspondia ao grego Petrus, que significa “um pedaço de pedra tirado da Rocha Viva”. O nome aramaico não volta a aparecer e o nome Pedro substitui gradualmente o antigo nome Simão, embora o Senhor use o nome Simão quando fala com ele (Mt 17:25; Mc 14:37; Lc 22:31; comparar com Lc 21:15-17).

A gente fica até com pena do apóstolo.

Ele estava orando fervorosamente naquele terraço, no calor do meio-dia; sentiu fome e caiu em transe enquanto a comida tardava.

Como qualquer pessoa faminta, claro, sonhou com comida. Mas, ocorre que o sonho se transformou em pesadelo.

  • Ele estava sendo pressionado a comer de tudo, inclusive comida que ele sempre aprendeu a considerar abominável e nojenta.
  • Não se tratava apenas de cardápio errado ou de comida ilícita, mas sim de uma proposta alimentar que fazia até mesmo um homem faminto sentir náusea.
  •  Mas a voz que o convidava a comer continuava a insistir; por três vezes disse: “Ao que Deus purificou não consideres comum“.

Pedro ficou francamente perplexo sobre qual o significado de tal pesadelo, até que foi levado a encontrar um gentio.

Foi então que ele reconheceu a relação entre sua náusea alimentar no pesadelo e o desprezo que, até aquele instante, ele sempre tivera para com os gentios.

Se Deus, assim, contrariava radicalmente tudo aquilo que Pedro tinha aprendido sobre alimento, no plano gástrico, com a mesma insistência Deus agora contrariava tudo aquilo que Pedro tinha aprendido sobre os seres humanos, a um nível visceralmente irracional.

Pedro então diz: “Deus me demonstrou que a nenhum homem eu considerasse comum ou imundo“.

É sinal de maturidade humana saber reconhecer que muitos dos nossos sentimentos profundos sobre as outras pessoas emanam de fatores nem sempre racionais.

Sabemos, no plano mental, ser absurdo que Deus dê preferência a algumas pessoas em detrimento de outras, ou que considere alguns grupos étnicos superiores a outros.

Mas, não raro, de algum recanto obscuro de nós mesmos, surgem sentimentos de temor e de repugnância em relação a certas pessoas.

É justamente nesse recanto que Deus deseja penetrar para aí mostrar-nos a verdade, tal como fez com o esfomeado Pedro através do sonho do lençol carregado de alimento tabu.

Na novela pós-colonial de Amitav Ghosh intitulada O palácio de vidro, o autor descreve como os colonizadores britânicos tentavam forçar os membros do exército indiano, sob seu comando, a romper os seus tabus alimentares a fim fazê-los esquecer as diferenças de casta existentes entre eles próprios e assim forjar uma nova e exclusiva lealdade ao Império Britânico.

“Cada refeição nas festas dos oficiais… era uma aventura, uma gloriosa transgressão de tabus. Eles comiam alimentos que nenhum deles jamais tocara em casa: toucinho, presunto e lingüiça no café-da-manhã; carne assada e lombo de porco no jantar… Todos eles contavam histórias de como sentiram mal de estômago quando pela primeira vez comeram carne de vaca ou de porco, lutaram contra a náusea e fizeram força para não deitar tudo fora…” (Londres, Harper Collins, 2000, p 278).

Essa citação ilustra a conexão entre tabus alimentares e a tragédia da separação racial; ao mesmo tempo, sugere o quão difícil é quebrar um tabu.

Além disso, ela nos escandaliza hoje pelo fato de refletir um contexto político que já não é mais o nosso. Os britânicos tentaram, na época, quebrar certos tabus de separação, mas só o fizeram no interesse próprio, ou seja, o de reforçar uma outra forma de opressão, a colonial.

Mas, qualquer que seja o prisma pelo qual leiamos esse texto, ele sempre provocará em nós uma sensação de “escândalo” relativo à quebra de certas regras e tabus alimentares. Isso tudo nos faz ressentir o que Pedro provavelmente teria enfrentado durante o seu sonho.

Entretanto, após este sonho Deus ainda lhe fala. Poderia Deus ter apenas lhe falado?

Certamente. Mas o impacto necessário não seria atingido. Ele precisou ser “tocado” por Deus em vários sentidos, pois o assunto estava muito arraigado em sua alma, e a obra que Lhe pedia era por demais importante.

Paulo foi chamado apóstolo para os gentios, e Pedro se concentrou nos judeus.

Então porque ser assim “tocado”?

Porque precisaria compreender e reconhecer o ministério de Paulo aos gentios. E se não tivesse experiência própria no assunto certamente poderia haver problemas na igreja apostólica.

2. QUEM BUSCA ENCONTRA

Homem de inteira confiança, Cornélio era um oficial competente no exército romano estacionado em Cesaréia. Ele tinha responsabilidade, reconhecimento e mais dinheiro do que a média das pessoas. Inspirava respeito, e dispunha de poder.

Vivia longe do seu Lar, mas estava acostumado a essa vida. Com frequência mudava-se para outras regiões. E, apesar de seu cargo e destas situações, ele comandava sua tropa, um grupo de 100 homens, como um oficial justo e bondoso, ao contrário de outros que agiam com crueldade e eram tacanhos. Isto não pode confundi-lo com um homem de fraquezas, mas sim com um homem bem-acabado e seguro, já que se fosse preciso ele demonstraria seu amor e dedicação ao Imperador e ao Império Romano, e isto com sua espada. Não há, em Cornélio, sede de vingança mesquinha, ou necessidade de exercer violência simplesmente pelo ato.

Embora tivesse uma parcela saudável de energia humana, Cornélio percebeu que a vida é mais do que dinheiro, poder, servos e prestígio. Essas não eram qualidades que satisfizessem. Era necessário ter comunicação com o Pai Celestial para ser completo, e os que faziam parte de sua família comungavam de seu entusiasmo pelas coisas espirituais e eternas.

Normalmente, o centurião vivia sob considerável tensão, era o sustentáculo do exército romano, se ele não funcionasse direito, a corte (600 homens), e a legião (6.000 homens), eram inúteis. Na maioria dos casos ele fazia carreira militar.

Coragem era a mais proeminente qualidade, se o país fosse atacado, esperava-se que o centurião defendesse seu terreno ou morresse lutando. Para isso tinha total responsabilidade sobre seus homens, em três aspectos:

  • primeiro na área da disciplina, podia açoitar seus soldados como também executá-los;
  • segundo, era manter as tropas em forma física, com exercícios regulares;
  • terceiro, e não menos importante, na própria batalha era responsável direto pelo desempenho de seus homens.

Cornélio recebeu uma visão durante as primeiras horas da tarde (hora nona – 3 da tarde), um anjo de Deus o assustou. O centurião fixou os olhos no visitante, sabia que não se tratava de sonho, estava bem acordado e gozava de boa saúde. Imediatamente Cornélio perguntou: “Que é Senhor?

Alguns dizem que Cornélio era um “prosélito da porta”. Ou seja, apesar de gentio estava seguindo o rito judaico, entretanto não era circuncidado, pois isto foi questionado mais tarde.

  1. Proibição da idolatria
  2. Da blasfêmia
  3. Do derramamento de sangue
  4. Da sensualidade
  5. Do roubo
  6. Obediência as autoridades
  7. Proibição do consumo de sangue

O fato é que Cornélio recebeu a salvação, assim como sua família, porque creu na Palavra de Deus. Isto só foi possível porque Pedro estava sensível ao mover do Espírito Santo e Lhe foi obediente.

Desta forma, enquanto Deus mudava a forma de pensar de Pedro, estava respondendo as orações de um servo, Cornélio.

Aliás, se Pedro não é mudado pelo E.S., este relato teria sido bem diferente, assim como o curso da história. Bom, isto já é a nossa imaginação, porque Deus quanto intenta algo nada pode impedi-Lo.

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